terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Poesia sem nome

Teus olhos escuros
Teus cabelos em chamas 
Teus lábios em fulgor 
Tuas mãos delicadas 
Tuas olheiras desenhadas 
Tuas pérolas encrustadas 
Tua segurança insegura 
Tua tristeza infortuna 
Tua solidão insólita 
Teu medo bravio 
Teu tremor suave 
Teu toque brusco 
Tua primavera constante 
Em planos, distante 
Numa tristeza de outono 
É possível ser assim? 
Adoecida a todo instante 
Como um exército sem comandante? 
Um verão interminável 
Uma busca confortável
Por um lugar no oceano 
Sem delongas e sem demora 
Vá logo buscar, e agora 
O que ninguém te rouba, a tua glória!

Por Renan Colzani

domingo, 14 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

Um quarto de tempo
Para que a dor se dissipe
Um quarto pequeno
Para que eu me recicle

E o ato do vento
Cortante que agride
Vem pela janela
Pedir que eu me cuide

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

sábado, 8 de novembro de 2014

Mas das coisas mais lindas
Urgentemente você se encaixou entre elas
Rimou, assim, com toda a ternura...
Isso, isso que fica depois da dor
Liquida meu ser, me apresenta melhor ao amor
Ou se perde pra ganhar, ou se perca pra crescer

Passado

A poesia se esvaiu
À medida que a distância dobrou
À medida que os dias fluíram
E toda noite
Quando a dor rugia...
Não houve música nossa
Que consolasse cada suspiro
Que me negasse o pensamento
Diante de cada abismo
''Me atiro ou não me atiro?''


Foi...


domingo, 24 de agosto de 2014

Atentar

Estou atenta a tudo aquilo que me atenta
E a tentar ficar mais atenta
Disperso a tormenta no corpo que desalento
Tenta ater o atentado

Continuo a tentar
Como aquilo que continua a atentar
E atenta a tudo
Atenuo o atenta-dor

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Poema de retorno

A gente nasce pra ser e crescer
E é pra isso mesmo que eu nasci
Mesmo com toda a rapidez com que corre o rio
Sem espera e sem margem que esteja aí
Para ficarmos e assistirmos os dias a fio
A água cair em cascata
Enquanto acham que a vida é ingrata
Ora, a vida é vida
É partida mas também chegada
É descida mas também subida
Só precisa ser melhor vista e vivida
Porque enquanto tu passeia pela avenida, aquela tal
Achando que o carinha encostado no muro é marginal
Ele te chama e diz que teu dinheiro caiu do bolso
''Ah, muito obrigada, moço!''

Mas aí
Vez ou outra dá uma vontade de sumir
Tá difícil no trabalho, na cidade
O convívio me costura em retalho esse roubo de energia...
E o vazio e a agonia de amar e saber
Que não te cabe mais melodias
Que falam, que ditam sobre ele
E o querer que a dor no peito não mais martele
Ora, quantos homens ainda passarão por ti?
Quantos já se foram e amor ou dor te fizeram sentir?
Embora, você só queira alguém pra vida inteira
E por isso mesmo dói
Porque não há o que fique
Não há coisa alguma que indique
Que o homem de agora vai ficar até outra hora
Vai ficar mesmo com toda a tua sujeira...

Ah, essa inquietude, latente...
O corpo pede por aquilo que o peito sente
Quando tudo tá em calma
Porque houveram dias em que eu ria
De tanta calmaria interna
E ele grita ''Enterra o talo
Que sustenta o estrago no peito, fazendo estralo
E que não bandeirosa mas piamente ainda estrala
Vai, traga só mais uma dose
Traga todo o amor que puder e faz dele posse
Como se tudo fosse
Põe (tu)do no mudo e ouve o teu cerne
Anda, se ergue, alterne
Do ruim pro bom
Do som da construção pro samba
Que te deixa de perna bamba
Que em ti eleva um tom''

Sei lá, tá passando
Entre o sossego e o medo
Não há engano
Não há segredo sobre o que eu prefiro
Os dias em que me sei
E os que sei que quanto mais eu caio
Mais rápido levanto
Digo, que bonito é o canto de quem vive essa proeza
Bom é ter tempo pra deitar e ouvir a natureza, gritando
Que a gente faz parte dela
Que o sol caindo não faz só parecer o laranja aquarela
É outro dia que vai indo e outro que vem vindo
E as coisas que se passaram
As dores que da gente riram
Mas os dois lados do corte que se amaram
E que se fecham com uma flecha de cada ponta...

Não fica tonta com o que eu conto
O entendimento flui como o vento
Chega no ponto
Pronto































quarta-feira, 23 de julho de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Eu tenho esse calar gritante
Que eu pus num barco
E deixei navegar pelo teu quarto
Enquanto eu não estava mais aí

Eu tenho essa saudade grande
Que eu apoiei na estante
Enquanto me preocupava
Em não esquecer de mim

Eu tenho esse fundo cheio
De amor, de medo, de coisas
Que mesmo na parte oca
Se esbarram e conversam entre si

Eu tenho esse peito ao meio
Que amou sem freio
Que te jurou de pé junto todo o amor mútuo 
Até te ver partir

Eu tenho a mim de volta
E tenho a minha revolta
Por não conseguir ter nós, juntos
Por não conseguir fugir desse assunto

Eu levo de baixo do braço
De forma que tu caiba
Todo o espaço
 





sexta-feira, 4 de julho de 2014

Eu quero me debruçar sobre o sossego dos dias
Em que o meu peito não está a latejar
Mas na minha mente, aquela noite recomeça
E como esquecer
Se a cor da tua pele à meia luz do quarto
Não sai da minha cabeça?

O meu amor eu queria lhe dar
O teu amor eu não tenho, com isso eu tenho que lidar


Amor é tu
E também dor
Amor é tudo

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Uma coisa é o vazio que é
Quando tu não está aqui
Mas está
Outra coisa é o vazio que fica
Quando tu não está aqui
Nem de longe

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Os nós de nós

Olha bem para esse solo
E me diz se nessa estrada percorrida
Você não quer alguém na tua vida
Alguém tão só
Que só não queira a confusão
De ser um nó
Mas que espera a noite inteira
Por alguém que lhe apareça
Que fique e a ame, e depois não esqueça
...
Ser só dois, mas não estar só
O quarto vazio, a tristeza do frio
E o calor dos dias que virão, a fio
Compra-se casa, somam-se em anos
E o amor continua conhecido
Como ''Sorte'' de Caetano
...
Mesmo sem teto, sem roupa, sem medo
Com seu caos e a presença do enredo
O seguinte é dito sem segredo:
Os corpos nus que se amarão
Que se esbarram algum dia
Envelhecem toda semana, mas se consomem com autoria
Até lá, a solidão de agora
Outrora acabará, por alguém também sozinho
Que parou no teu caminho, prometendo sempre te amar

domingo, 29 de junho de 2014

Eu só não quero ser como essas meninas que tu admira
Toda maquiada, de saia rodada
A cabeça que não pensa em nada
Assim, meio crua, vivendo na rua
Eu prefiro a alma pura, a cara nua
Ter a pele que sua
E ao invés de balada, a lua
Mesmo que eu não vá ser tua

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Teu perfil
Teu tom azul anil
Teu sorriso em escancaro
Me custa caro
E mesmo assim eu ainda o encaro
Tua imagem impregnada
E o meu corpo em retirada
O gosto do que passou
E o desespero que se tornou
Lembrar e assemelhar
Como era, como está
Eu sentada no teu sofá
...
Teu lábio ágil
Sobre o meu corpo frágil
Éramos quase um corpo só
Nossas pernas num nó
E a escuridão do quarto
Tua expressão de quem estava farto
Eu estaria aí até agora
Posso chegar em meia hora
Me deixar talhar na tua parede
Toda a minha sede
De ter a vida contigo
De que tu passe os dias comigo
...
Teu ser
Esquecesse de remover de mim
Eu fico assim
Sem devolver
Vou me lembrar todos os dias
Do modo como sorrias
Até que sobre só um resquício
E de outra história seja início
E mesmo assim eu vou contar
Pra quem eu for encontrar
Que eu amei demais
Num tempo atrás
Outro rapaz




Ei
Vem
Me alcança
Me amansa
Entra na dança
Acalenta
Lenta
Mente
Independente
Da velocidade
Da idade
Da cidade
Me surra
Me cura
Mas jura
Que fica
E indica
A direção
Sem subtração
Vem somar
Sem sumir
Vem ficar
Sem ir
Me ame
Me ganhe
Não estranhe
Se eu me der
Se eu estiver
Aí sem sair
Sem fugir
Vem ser ''inteiro''
E o primeiro
A ficar
De janeiro 
A janeiro






terça-feira, 24 de junho de 2014

Eu sinto muito

Cada pessoa é uma estrada que eu cruzo. Eu não me importo de caminhar sobre a vida delas descalço, mas algumas são como o chão quente, me queimam a pele, me fazem correr. Outras são como a terra debaixo do mar, ou o próprio mar... quanto mais o chão me parece plano, quanto mais a água se amorna sobre a minha pele, mais fundo eu quero ir, por mais tempo eu quero boiar. Mas o que eu quero dizer é que, independente do mar estar limpo e na temperatura perfeita ou do chão estar em brasa, eu me apaixono com a mesma facilidade que o pássaro tem em voar. Eu amo as pessoas que raiam, mas também as que chovem. Eu amo os jardins, como amo as árvores secas. Eu amo isto e aquilo e sustento uma sensibilidade que pesa mais que o meu próprio corpo. Porque minhas pernas são troncos, meu peito é uma encosta, mas quando resolvem me podar, quando o mar tende a bater-me infinitamente, é quando eu enfraqueço. Pois eu amo muito, mas sofro muito. E a dor aperta com a mesma facilidade que a chuva tem em cair. Toda intensidade incide em mim, eu relampejo tanto quanto floresço, tenho dentro do meu corpo o mar acima do nível, por isso transbordo. Transbordo internamente, uma vez que faço da minha carne um muro de contenção. Tem dias que ele falha, mas flores brotam na pele do meu rosto, então eu choro mesmo, que assim eu me rego por fora. Sabe... alivia. Aí surgem flores até no meu peito, e assim é o meu ciclo, confirmando que faço parte da natureza. Que é da minha natureza ser tempestade e ser o sol que logo depois se abre, aquele que te queima a pele de leve e te livra do frio. O meu normal é ser brisa e vendaval. Entende? Porque eu sou como os dias, amanheço e anoiteço... O que eu sinto vai longe como a realidade em que caio, é um abismo. Mas não sinto muito por sentir tanto.
Você me deixou tão deliberada
Consertou minhas asas quebradas
E me impulsionou a voar
Mas que liberdade é essa
Se ainda estou presa na dor?
Agora o voo é sozinho
E quando volto pro ninho
Não estás a me esperar

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Des carrego
Descarr ego
Nesse descarrego
A dor é um homem possessivo que te quer por inteiro
Se você ousa sentir outra coisa
Ele te agarra pelo pescoço
Agressivo, sufocante
Então não existe vontade de sair da cama
Porque na porta do quarto, ele está te esperando
Até que aparece alguém e ele se esconde
Você consegue sentir outra coisa, finalmente
Talvez vazio
Porque é isso o que se sente quando ele não está presente
Mas a visita que veio tem que partir
Então o homem sai de onde estava
E te parte mais um vez
Em centenas de partes
Sem nunca partir


Hilborn

''A tristeza é a minha velha pintura abaixo da nova.''

sábado, 21 de junho de 2014

Mesmo que partas
Um dia teu rumo vira pra cá
Um dia cansas de aparecer
E aparece de vez sendo você
Sem tentativa de agrado
Porque sabes que eu gosto do homem
Mesmo que use a roupa mais suja
Só precisa prometer que fica do meu lado
E que vai encher a casa de muda

Mesmo se não voltares
Nunca vais ter ido embora de mim
Partir assim é como um parto
Tanta dor gera algo que cresce
Eu fico com a dor
Que ela me alimenta mesmo assim
E aí eu cresço e te largo de vez
Pra que voltes e a gente de dois
Vire três

Mesmo que eu parta
Uma parte fica aí
Me acione com a cabeça
Talvez sinta com o coração
Se me fui, é porque eu quero sorrir
A cidade tá cheia mas só se sente solidão
Eu estive em ti, fora do corpo
Dentro do mesmo
Nada foi a esmo

Mesmo se eu não voltar
Eu voltarei
No teu peito ou no meu
Alojado o amor não morreu
Se não foi amor, foi algo bom
Se não for amor, que eu me prepare
Porque essa dor dispara
E me acorda quando quero anestesia
Quero mesmo que chegue logo um novo dia




quarta-feira, 11 de junho de 2014
















                                                                                                                                    Habita o meu peito.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Eu fecho os olhos:
''Nunca senti isso antes''

  Me sinto tão viva (e tão morta). No meu peito mora um aperto contido, um aperto que segura o peito aos pulos. Nos meus olhos, uma parte do mar faz visitas, casualmente. Não é tristeza, é amor. É querer estar do lado, estar em frente, estar nele... É achar que já amou tudo o que pôde e então ver que o que sente agora é infinitamente mais intenso e transbordo. Ver que esse é daquele amor que não te faz querer morrer. Viver por amor e amar por viver... Me leia! Isso é um pouco mais que a mim. E mesmo as palavras... Ando de braços dados com a esperança de conseguir me extrair, de fazer com que alguém entenda e sinta as camadas que moram em mim, que me constituem. Se tu soubesses como sinto dez vezes mais do que aquilo que escrevo...
  Eu só quero que saibas, e sejas o marido que eu tanto imagino ter no futuro. Vamos fazer um casal de filhos, para começar. A gente pode morar numa casinha de tijolo a vista, perto da praia ou do morro. Me leva para passear de bicicleta, que eu vou até no quadro. Quem sabe uma noite ou outra a gente faça amor no tapete da sala, na mesa da cozinha ou no banho... Quem sabe todos os dias. Vamos viajar de carro. Juro cortar o teu cabelo quando precisar. Me leva para conhecer teus parentes e me deixa ser tua família. Meus pais vão te adorar, já tô vendo... Ou não vamos fazer filho nenhum, vamos adotar. Vamos fazer amor no nosso quarto mesmo, no quarto andar de qualquer prédio no meio da cidade, que eu sei que vai ser lindo. Me leva para dar uma caminhada, que eu vou até mancando. Se for o caso, a gente viaja de ônibus. E ó: eu adoro um cabelo comprido e uma barba. Me leva pra casa dos teus pais e me torna parte da família. Meus pais vão te amar, disso eu sei... Seja quem tiver que ser, seja como tiver que ser, mas seja o meu amor.
  E saiba que as coisas ditas, soam bonitas, mas não carregam o tanto da emoção que eu levo comigo. Ah, se eu pudesse exteriorizar... Se eu disser que tu pode ser o homem mais amado de todos os estados, isso te dá uma ideia do que eu sinto?

O amor transbordou
A lágrima caiu
E a menina aqui sorriu
Cada palavra é um mar profundo demais. 

...

Eis que me encontro perdida.
 Hoje eu vejo, toda vez que olho pela janela, o quanto há em mim de tudo no mundo. Meus olhos são o centro do universo, partindo do meu ângulo. Sou tão pequena para com algo tão grande, como não sentir as vibrações dessa massa sobre o meu corpo e dentro de mim? Sou nada, sou tudo. Das coisas que sinto, carrego os sentimentos que há anos fazem junção e tornam-se eu. Sou sensibilidade. Sou o corpo do mundo, porque tenho o mundo dentro de mim.
 Tudo pulsa. Tudo passa. Tudo fica. Tudo vem. Tudo vai. Tudo e o todo. 

"Eu me lembro quando minha sobrinha, Tony, era recém-nascida. Eu tomava conta dela algumas vezes e ela chorava, como bebês fazem. Nove vezes de dez eu conseguia resolver o problema, mas... algumas vezes, quando estou andando pela estrada e um raio de luz do sol incide de uma certa maneira na estrada eu simplesmente quero chorar. E um segundo depois, acabou. E eu decido, porque sou uma adulta, a não sucumbir a melancolia momentânea. Acontece o mesmo as vezes com Tony. Ela somente teve um momento assim. Um momento que, sem saber como, ou por que, ela só se deixa levar. e não havia ninguém que pudesse fazer ela se sentir melhor - era só ela, e o fato dela estar viva, colidindo."

domingo, 25 de maio de 2014

 Por deus, que esses dias em que você vive em mim não me matem mais. Que essa ausência não consumada me consome dia e noite e eu não tô pronta para morrer tão jovem... Kant nenhum explica a falta que eu sinto do teu corpo, que eu nunca toquei.  E como pode estar tão longe e mesmo assim estar tão internamente? É aí que te encontro, não fora mas dentro. E como funciona uma mente que não se dilui em outros mares que não o teu? Há tanto de ti concentrado em mim... Pelos céus, que meu corpo daqui sente as vibração do teu ser, como um imã. Porque cada menção tua relacionada à minha pessoa aciona as mais impetuosas tempestades emocionais e todo minuto que passa, me corrói, querendo tuas mãos para me acalentar. Que necessidade é essa que não cessa? Que vontade é essa de te ter de volta se eu nunca te tive? Que medo é esse da perda se eu nunca o ganhei? Que tremor é esse em mim só de vir a pensar nas palavras que brotaram de você? Que abatimento é esse no meio de tantos sorrisos? Tantos espíritos alegres me rodeiam e não há alma que extermine essa mágoa que me engole todas as noites. Tanta gente para amar, tanto carinho já ganho, porque nenhum deles compensa a perda que me esburaca o peito? Não houve antes quem me tatuasse dessa forma o amor. Entendo agora porque dói mais quando desfazem a tatuagem...
 Cala essa tua voz aqui dentro ou me cala a boca num beijo! Não vê que se te escrevo é porque não te esqueço. Meu deus, tendes a crescer em mim de tal forma que me assusto, és maior que meu peito, esse coração nunca se estendeu tanto para envolver alguém. Ninguém nunca me inspirou tanto a escrever versos... Caramba, enquanto as palavras desaguam e tu te concretiza em minha mente, há um amor que flui gentilmente pelo meu corpo e, como explosões astrais, iluminam meu coração. Que coisa, me fazes bem e mal ao mesmo tempo. Eu sinto o ganho e a perda, o vazio e o preenchimento, o amor e a dor... Mas sinto tudo, então significa que és muito em mim, mas não a ponto de fazer-me subtrações. És o equilíbrio. Se no casamento tem saúde e doença, alegria e tristeza, bem e mal... Porque a gente não se casa, afinal? 

sábado, 24 de maio de 2014

 Me deixa aqui, assim sossegada, deixa eu me acostumar a não te ter mais. Que esse sossego eu levo de baixo dos braços, para todos os cantos. Que esse sossego é minha dor quando começa a amansar... Porque outras bocas eu vou beijar, mesmo que não sejam a sua, outra pessoa eu posso até amar. Mas fica longe enquanto isso acontece, me deixa sofrer por outra pessoa, que ainda assim a dor vai ser menor e eu não te quero coçando a ferida. Se eu não amar ninguém, eu vou estar curando, então eu só não quero que você venha abrir o corte. 
 Mas se quiser, vem fechá-lo, se essa for tua intenção. Que eu dou um jeito e levo o sossego num braço e tu no outro, ou boto o sossego no bolso e te levo nos dois. Porque se vier, não há de ter boca mais estimada que a tua. Não há de ter corpo mais amado, alma mais prezada... Deixa eu te acolher e te curar também. Olha como eu te quero bem. Olha como eu te quero, meu bem. Não deixe que outra pessoa me toque. Seja o bastante para mim. Mas não seja dela, seja meu. Que se ela te toca e não eu.... 
Aquela música que foi você ainda toca
(E é você)
Eu deixo que toque
Até o disco arranhar
Mais do que me arranha o peito
Até perder o volume
E tudo o que me reste seja silêncio

Silencie-se em mim!
Ou soe de bom tom
Que essa valsa
Eu já não quero ouvir
E dançar sozinha




sexta-feira, 23 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

Poucas vezes eu deixei que meu rosto fosse queimado pelo sol. Então houve essa vez em que eu sofri com o calor, porque no momento era o que tinha para me aquecer. Isso me lembra cada inverno que chega, trazendo os sois raros da manhã, aqueles que me abraçam... Inverno passado era você, lembra? A gente andava na chuva e no frio, já noite, e ainda assim tudo era radiante, como o ponto amarelo no ápice do (meio)dia... Aquela vida eu não cruzo mais. Deixei o túnel, a esquina, as fotos e um tanto de lado, foi o verão que te ofuscou. Mas o inverno que chega trás teu calor no bolço... Eu deixo que me queime o peito, de leve.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Diz com passo

Esse pano, em que teço planos
Esse plano, uma vida em anos
Esses anos, muita história pra contar

O dia em que se nasce aos 30
Já grande, corpo feito, cabelo crescido
Quando tudo foi conquistado
Foi merecido
O dia em que se morre com 18
Metade grande, metade pequeno
Cabeça feita, coração dilatado
Tudo faz efeito
Nada é perfeito

Que defeito tem o rapaz no arpoador?
Vê a vida de cima
Sente a brisa que lhe pisa
Estagnado no momento
Porque o pulo é ágil
O chão é grande
O corpo é frágil

Que mal faz a moça que não sorri?
Absorve a luz do dia
Sente a vida que lhe gargalha
Atenta ao som dos pássaros
Que se é para fazê-la dormir
Não falha
Porque o peito ela carrega cheio
Dos dias que fluem sem freio

E quem lhes cruza a rua
Quanta coisa leva consigo?
Imagem de gente nua
A culpa que não é sua
A saudade do amigo...
É tanta gente
É tudo tão extenso
Que me falta memória
Para guardar tanta história
Para reter as coisas que eu penso






quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quando eu me deixei levar pelo o que eu sentia, não existia preocupações porque pela primeira vez na minha vida, eu achei que estava em algo recíproco com outra pessoa. Eu dava e recebia e eu nunca precisei extrair as coisas de ti, o teu sentimento jorrava. Então eu me segurei firme nisso, talvez tenha ficado um pouco dependente. Mas foi maravilhoso. Era eu, era tu e todas aquelas palavras... Eu me senti cheia depois de muito tempo vazia. Eu me senti em algo real, quando na verdade eu sempre fiz parte de relacionamentos pela metade, porque nos outros, ou eu amava ou eu era amada. Mas dessa vez eu senti que era algo inteiro.
E acabou.
Eu voltei a ser metade, quando eu estava tão cheia de nós dois, cheia de amor. Eu pus fé na gente, e tu sabe como é ruim sentir a fé falhar? As minhas remendas não aguentaram. E eu continuei até agora, com persistência e dor, tentando segurar a rede nas mãos quando eu sei que eu só preciso deixar a maré levar. Então eu te escrevo porque tu foi o meu porto seguro, o meu farol, e junto com a rede cheia de remendos, eu me deixo levar pelo mar. Eu preciso seguir nas ondulações, preciso que o vento me leve pra longe do porto. Porque tudo o que eu sinto é o meu corpo batendo nas pedras. Dói demais. Eu queria conseguir esperar por ti, mas esse amor que eu sinto, eu sinto agora, eu não vou sentir no futuro como eu senti naquelas semanas em que a gente se ''envolveu'', como eu sinto hoje. Não tô conseguindo seguir com a minha vida... Eu vou desejar não ter feito isso, mas não posso me abastecer de esperança. Eu quero dizer que tu continua intenso aqui dentro, mas eu me demito por fim.
Com amor, a pessoa mais sentimental.

Tu não sabe o quão amável tu é.
Eu me apaixonei.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A história começa no mar.

Já são dezessete anos velejando em mim
Alguns fragmentos ficaram para trás
Há partes de mim em esquinas, em cidades e em pessoas
Há um pouco de mim no banco da praça, na sombra da árvore, na pessoa que passa...

Meu barco segue nas ondulações do mar,
Conforme o vento vai batendo...
E quando os meus braços ganharem a força de um motor
E a minha cabeça pesar menos que uma âncora,
Aí eu sigo o meu próprio rumo
Que é para eu não naufragar no chão da cidade,
Onde habita o meu corpo.

''A carne dura menos que qualquer madeira.''

quarta-feira, 19 de março de 2014

Maré alta

Recolham as cadeiras para dentro de casa
Faz tempo que não se vê chuva como essa
E todo esse coração temporal
E a tempestade mental
Tem coisas que trovejam em você
E relampejam em mim





terça-feira, 18 de março de 2014

Me leve
Que eu caibo em qualquer mala
Sou tão pequena para isso
Do mesmo jeito que sou enorme
A ponto de caberes em mim
Eu me torno dente-de-leão
Se for o caso
E num sopro
Pouso em tua mão





segunda-feira, 17 de março de 2014

Dona Lourdes,
Toda vez que olhas pela janela
Deixas que teu marido esquente o sofá sozinho
O cachorro quer teu colo
E a senhora mal sabe o que é carinho
Ao invés de conversar sobre o dia
Se interessa por qualquer balela
Como se não tivesse companhia
Fica a vigiar as moças indo à capela
E reza para que teu homem doente melhore
Pobre dele
Só quer que a senhora o olhe
Por que não deixas a manicure de lado
E marcas um horário com o teu amado?
Ele lá a falar com o cachorro
Enquanto contas à vizinha como tratas ele bem
Eu andando na rua, reparo
O quanto não gostas de ninguém

Mesa para dois

Tuas palavras soam em aconchego ao pé do ouvido
Um conforto que vem dos braços
Que apareceu do acaso
E me agarra feito abraço
E se acaso não souberes
Nós somos o plano de algum tempo atrás
Vê como a chuva não deságua o meu sorriso
Olha como eu adoro tudo aquilo que tu diz, rapaz
Se um mês passar rápido é prestígio
Pode acionar o cronômetro
Que eu tô indo feliz ao teu encontro






quinta-feira, 13 de março de 2014

Recinto sem luz, mãos atadas
Pessoas começam a ir embora
Hoje o mesmo lugar, sempre esperando por nada
Rosto abatido, pele e osso, cabeça cansada de pensar
A falta de uma bebida, a busca pela saída
O coração querendo amar
A esperança dura enquanto nada de ruim acontece
Pobre é aquela alma que sofre, apanha e estremece
Rimas fáceis costumavam me definir
E quando eu fui me entender, só piorou, eu me perdi
Pensei me conhecer, mas descobri ser um emaranhado
Segundos de inconsciência me atraem, mesmo que isso seja errado
A cor que corava se vai, na tentativa de renascer
Eu imagino que a dor faça parte desse negócio que é o crescer

 (30 de abril de 2013)
E eu me afogo em dores rasas.

 (29 de julho de 2013)
Nunca vi passarinho gostar de gaiola.

(29 de janeiro)
Entre nuvens esparsas
Entre paredes e suas flores que estruturam casas
Entre casais em noites de valsa
Braços, bolsas e suas alças
Santos e suas farsas
Pilantras e seus comparsas
Gaivotas e garças
Entre o que é pago e o que é de graça
Entre atores com suas falas falsas
Pescadores em suas balsas
Pássaros com suas asas
Passos e suas pausas
E minhas causas tão imersas
Eu tento me tingir com as cores diversas
Mesmo que tudo o que eu tenha seja cinza submersa

''onde há mais desta eloquência?''

 (12 de junho de 2013)
Eu tô amando
Tô a mando do fulano
Tô fazendo algo que eu não sei o que
Mas já venho fazendo isso há algum tempo
Ele sempre diz pra eu não esquecer
E lá no canto, me esperando, tem um acento
Eu sento e espero acontecer
Acontecer não sei o que
Mas é que é assim mesmo
Eu tô amando
Não tenho que entender 


 (5 de junho de 2013)
Cantos sossegados
Tardes na cama
Gramados 
Músicas serenas 
Poemas
Deitadas na rede
Olhadas no teto 
Passos calmos 
Olhos entreabertos
Cores neutras
Observações 
Flor
Canções de amor


(3 de junho, 2013)