A gente nasce pra ser e crescer
E é pra isso mesmo que eu nasci
Mesmo com toda a rapidez com que corre o rio
Sem espera e sem margem que esteja aí
Para ficarmos e assistirmos os dias a fio
A água cair em cascata
Enquanto acham que a vida é ingrata
Ora, a vida é vida
É partida mas também chegada
É descida mas também subida
Só precisa ser melhor vista e vivida
Porque enquanto tu passeia pela avenida, aquela tal
Achando que o carinha encostado no muro é marginal
Ele te chama e diz que teu dinheiro caiu do bolso
''Ah, muito obrigada, moço!''
Mas aí
Vez ou outra dá uma vontade de sumir
Tá difícil no trabalho, na cidade
O convívio me costura em retalho esse roubo de energia...
E o vazio e a agonia de amar e saber
Que não te cabe mais melodias
Que falam, que ditam sobre ele
E o querer que a dor no peito não mais martele
Ora, quantos homens ainda passarão por ti?
Quantos já se foram e amor ou dor te fizeram sentir?
Embora, você só queira alguém pra vida inteira
E por isso mesmo dói
Porque não há o que fique
Não há coisa alguma que indique
Que o homem de agora vai ficar até outra hora
Vai ficar mesmo com toda a tua sujeira...
Ah, essa inquietude, latente...
O corpo pede por aquilo que o peito sente
Quando tudo tá em calma
Porque houveram dias em que eu ria
De tanta calmaria interna
E ele grita ''Enterra o talo
Que sustenta o estrago no peito, fazendo estralo
E que não bandeirosa mas piamente ainda estrala
Vai, traga só mais uma dose
Traga todo o amor que puder e faz dele posse
Como se tudo fosse
Põe (tu)do no mudo e ouve o teu cerne
Anda, se ergue, alterne
Do ruim pro bom
Do som da construção pro samba
Que te deixa de perna bamba
Que em ti eleva um tom''
Sei lá, tá passando
Entre o sossego e o medo
Não há engano
Não há segredo sobre o que eu prefiro
Os dias em que me sei
E os que sei que quanto mais eu caio
Mais rápido levanto
Digo, que bonito é o canto de quem vive essa proeza
Bom é ter tempo pra deitar e ouvir a natureza, gritando
Que a gente faz parte dela
Que o sol caindo não faz só parecer o laranja aquarela
É outro dia que vai indo e outro que vem vindo
E as coisas que se passaram
As dores que da gente riram
Mas os dois lados do corte que se amaram
E que se fecham com uma flecha de cada ponta...
Não fica tonta com o que eu conto
O entendimento flui como o vento
Chega no ponto
Pronto