quarta-feira, 29 de abril de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Os olhares colidem de longe
E de longe eu sei que vai ficar
Acha um motivo, diz que é amigo
Mas só assim abrange
A única razão de estar
No lugar que é meu abrigo

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Domingo

O futebol passando na tv é um lembrete de que ele não está em casa, porque se estivesse, isso não estaria acontecendo. Prepotente, eu sei, mas nisso eu compactuo... Já são 4:00 da tarde e ninguém montou a mesa pro café, era coisa dele também. Não tem gato pulando dentro de casa, porque só ele abria a porta pros bichanos. Não tem música no carro, inclusive não tem carro na garagem. A louça na pia ainda tá suja, porque ele fazia questão que eu não me preocupasse com nada a não ser com o meu canto. Ele sempre lavava e no fim dizia dando risada ''Vem, que a louça é tua'', mas já não tinha sujeira. Às vezes quando queria trocar uma palavra, surgia no quarto com uma xícara de café, dava uma olhada na tela do computador (pra me irritar, mas eu bem sabia que ele não enxergava) e eu nem sequer tirava os dois fones dos ouvidos. Então ele dizia pouco menos que uma frase e ia pra rua, sentava-se do lado de fora da porta... pernas esticadas e cruzadas, cigarro na mão e a cabeça voltada para longe, onde ninguém foi capaz de alcançar-lhe o pensamento.
Agora são 17h32, o futebol continua, assim como a distância e a saudade.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Solidão

Na surdina ela se compõem
E mesmo sem silhueta
Noto como cresce dentro de mim
Como, sempre que encontro alguém, se opõe
Como ela teima e não se endireita
A princípio o meu corpo que já se arrastava
E que pelos quintais procurava escoro 
Não sabia se era eu quem me domava
Ou se era o resto de um amor não duradouro 
Mas foi quando meu corpo esteve são
Que pude me agarrar numa conclusão...
Vi que 'ela' é imensamente sólida
Ela é imensamente solidão
Tenho mais alma do que eu pensava
Por isso já não me convém desafeição
É como pedir que eu me contenha
E eu - ainda que o faça sempre - transbordo
Porque não sei agir sem o coração
Que mesmo sem boca fala mais alto
Num ato de lembrar-me que estou a bordo
Do barco que navega rio abaixo
Correndo pra perto do que eu suporto

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Caco

Cá comigo a dor imensa
Quase que me afogando
Inundando meu raciocínio
Agora, apenas sinto
A pancada que vem
E que nunca vai embora

Parece que não basta
Todo o drama já rodado
É preciso passar por mais
Do que apenas alguns bocados?!
É preciso quebrar-se em mais
Do que apenas alguns quebrados?!
É preciso matar-se mais
Até viver sempre cansado?!

Mais caco ou menos caco
Não me livro da sentença
De ter que viver na angústia
Levando porrada, perdendo a cabeça
E é duro no fim jogar tudo ao vento
Sem ver saída, eu me pergunto
Com quanta dor se faz um crescimento?

(ele partiu dia 11)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Quê?

Marquei encontro comigo
Mais uma vez
E quem vai chegar primeiro
Eu ou eu? Já não sei
Talvez seja melhor reservar mesa pra um
Ou pra dois?
Talvez seja melhor reservar mesa pra depois
Depende da fila na estrada
Do sinal no celular
Depende da chuva
São vários os fatores pr'eu não estar lá

São vários os fatores pr'eu não estar em mim?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pequeno curso de água

Rente a mim este embaraço
Indo e vindo, por onde eu passo...
Bate há um ano o compasso por ele
E a dor se aproxima ou às vezes repele...
Imagina se por um descuido eu me perco
Roendo a ferida que tá quase boa...
Ouvindo o aperto, assim meio perto

Eu miro e acerto a direção da proa