segunda-feira, 30 de junho de 2014

Os nós de nós

Olha bem para esse solo
E me diz se nessa estrada percorrida
Você não quer alguém na tua vida
Alguém tão só
Que só não queira a confusão
De ser um nó
Mas que espera a noite inteira
Por alguém que lhe apareça
Que fique e a ame, e depois não esqueça
...
Ser só dois, mas não estar só
O quarto vazio, a tristeza do frio
E o calor dos dias que virão, a fio
Compra-se casa, somam-se em anos
E o amor continua conhecido
Como ''Sorte'' de Caetano
...
Mesmo sem teto, sem roupa, sem medo
Com seu caos e a presença do enredo
O seguinte é dito sem segredo:
Os corpos nus que se amarão
Que se esbarram algum dia
Envelhecem toda semana, mas se consomem com autoria
Até lá, a solidão de agora
Outrora acabará, por alguém também sozinho
Que parou no teu caminho, prometendo sempre te amar

domingo, 29 de junho de 2014

Eu só não quero ser como essas meninas que tu admira
Toda maquiada, de saia rodada
A cabeça que não pensa em nada
Assim, meio crua, vivendo na rua
Eu prefiro a alma pura, a cara nua
Ter a pele que sua
E ao invés de balada, a lua
Mesmo que eu não vá ser tua

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Teu perfil
Teu tom azul anil
Teu sorriso em escancaro
Me custa caro
E mesmo assim eu ainda o encaro
Tua imagem impregnada
E o meu corpo em retirada
O gosto do que passou
E o desespero que se tornou
Lembrar e assemelhar
Como era, como está
Eu sentada no teu sofá
...
Teu lábio ágil
Sobre o meu corpo frágil
Éramos quase um corpo só
Nossas pernas num nó
E a escuridão do quarto
Tua expressão de quem estava farto
Eu estaria aí até agora
Posso chegar em meia hora
Me deixar talhar na tua parede
Toda a minha sede
De ter a vida contigo
De que tu passe os dias comigo
...
Teu ser
Esquecesse de remover de mim
Eu fico assim
Sem devolver
Vou me lembrar todos os dias
Do modo como sorrias
Até que sobre só um resquício
E de outra história seja início
E mesmo assim eu vou contar
Pra quem eu for encontrar
Que eu amei demais
Num tempo atrás
Outro rapaz




Ei
Vem
Me alcança
Me amansa
Entra na dança
Acalenta
Lenta
Mente
Independente
Da velocidade
Da idade
Da cidade
Me surra
Me cura
Mas jura
Que fica
E indica
A direção
Sem subtração
Vem somar
Sem sumir
Vem ficar
Sem ir
Me ame
Me ganhe
Não estranhe
Se eu me der
Se eu estiver
Aí sem sair
Sem fugir
Vem ser ''inteiro''
E o primeiro
A ficar
De janeiro 
A janeiro






terça-feira, 24 de junho de 2014

Eu sinto muito

Cada pessoa é uma estrada que eu cruzo. Eu não me importo de caminhar sobre a vida delas descalço, mas algumas são como o chão quente, me queimam a pele, me fazem correr. Outras são como a terra debaixo do mar, ou o próprio mar... quanto mais o chão me parece plano, quanto mais a água se amorna sobre a minha pele, mais fundo eu quero ir, por mais tempo eu quero boiar. Mas o que eu quero dizer é que, independente do mar estar limpo e na temperatura perfeita ou do chão estar em brasa, eu me apaixono com a mesma facilidade que o pássaro tem em voar. Eu amo as pessoas que raiam, mas também as que chovem. Eu amo os jardins, como amo as árvores secas. Eu amo isto e aquilo e sustento uma sensibilidade que pesa mais que o meu próprio corpo. Porque minhas pernas são troncos, meu peito é uma encosta, mas quando resolvem me podar, quando o mar tende a bater-me infinitamente, é quando eu enfraqueço. Pois eu amo muito, mas sofro muito. E a dor aperta com a mesma facilidade que a chuva tem em cair. Toda intensidade incide em mim, eu relampejo tanto quanto floresço, tenho dentro do meu corpo o mar acima do nível, por isso transbordo. Transbordo internamente, uma vez que faço da minha carne um muro de contenção. Tem dias que ele falha, mas flores brotam na pele do meu rosto, então eu choro mesmo, que assim eu me rego por fora. Sabe... alivia. Aí surgem flores até no meu peito, e assim é o meu ciclo, confirmando que faço parte da natureza. Que é da minha natureza ser tempestade e ser o sol que logo depois se abre, aquele que te queima a pele de leve e te livra do frio. O meu normal é ser brisa e vendaval. Entende? Porque eu sou como os dias, amanheço e anoiteço... O que eu sinto vai longe como a realidade em que caio, é um abismo. Mas não sinto muito por sentir tanto.
Você me deixou tão deliberada
Consertou minhas asas quebradas
E me impulsionou a voar
Mas que liberdade é essa
Se ainda estou presa na dor?
Agora o voo é sozinho
E quando volto pro ninho
Não estás a me esperar

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Des carrego
Descarr ego
Nesse descarrego
A dor é um homem possessivo que te quer por inteiro
Se você ousa sentir outra coisa
Ele te agarra pelo pescoço
Agressivo, sufocante
Então não existe vontade de sair da cama
Porque na porta do quarto, ele está te esperando
Até que aparece alguém e ele se esconde
Você consegue sentir outra coisa, finalmente
Talvez vazio
Porque é isso o que se sente quando ele não está presente
Mas a visita que veio tem que partir
Então o homem sai de onde estava
E te parte mais um vez
Em centenas de partes
Sem nunca partir


Hilborn

''A tristeza é a minha velha pintura abaixo da nova.''

sábado, 21 de junho de 2014

Mesmo que partas
Um dia teu rumo vira pra cá
Um dia cansas de aparecer
E aparece de vez sendo você
Sem tentativa de agrado
Porque sabes que eu gosto do homem
Mesmo que use a roupa mais suja
Só precisa prometer que fica do meu lado
E que vai encher a casa de muda

Mesmo se não voltares
Nunca vais ter ido embora de mim
Partir assim é como um parto
Tanta dor gera algo que cresce
Eu fico com a dor
Que ela me alimenta mesmo assim
E aí eu cresço e te largo de vez
Pra que voltes e a gente de dois
Vire três

Mesmo que eu parta
Uma parte fica aí
Me acione com a cabeça
Talvez sinta com o coração
Se me fui, é porque eu quero sorrir
A cidade tá cheia mas só se sente solidão
Eu estive em ti, fora do corpo
Dentro do mesmo
Nada foi a esmo

Mesmo se eu não voltar
Eu voltarei
No teu peito ou no meu
Alojado o amor não morreu
Se não foi amor, foi algo bom
Se não for amor, que eu me prepare
Porque essa dor dispara
E me acorda quando quero anestesia
Quero mesmo que chegue logo um novo dia




quarta-feira, 11 de junho de 2014
















                                                                                                                                    Habita o meu peito.