Avoada, avoada
Não sinto
Que aqui
'Sim, tô''
domingo, 1 de novembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Poesia alheia
''[...]
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.''
Alberto Caeiro
domingo, 9 de agosto de 2015
Crise que não ri escancarada
Crise que não encara escada
Crise sem cara ou rosto
Crise encosto
Crise que só enxerga o poço
Crise que só pensa em moço, quer dizer
Crise que não pensa
Crise que é só
Crise cri cri, e
Crise calada
Crise que funga e fala em lágrima
Crise que não quer saber se o capital dá lucro
Crise sem luxo
Crise lixo
Crise sem eixo
Crise que aumenta quando me mexo
Crise ao mentir
Crise ao ''verdadear''
Crise que não quer parar
Crise impaciente
Crise ciente de que não está em paz
Crise que eu não quero nunca mais, mas
Crise que eu vou ter
Crise que voo
Crise que anda
Crise que corre
Crise que manda
Crise
Crise que não encara escada
Crise sem cara ou rosto
Crise encosto
Crise que só enxerga o poço
Crise que só pensa em moço, quer dizer
Crise que não pensa
Crise que é só
Crise cri cri, e
Crise calada
Crise que funga e fala em lágrima
Crise que não quer saber se o capital dá lucro
Crise sem luxo
Crise lixo
Crise sem eixo
Crise que aumenta quando me mexo
Crise ao mentir
Crise ao ''verdadear''
Crise que não quer parar
Crise impaciente
Crise ciente de que não está em paz
Crise que eu não quero nunca mais, mas
Crise que eu vou ter
Crise que voo
Crise que anda
Crise que corre
Crise que manda
Crise
terça-feira, 28 de julho de 2015
Coisamente
Coisa que mente
Eu não engulo
Coisas em mente
Eu não anulo
Coisa andante
Penso que é gente
Coisa pensante
É meu parente
Quando a mente coisa
Alguma coisa sei que é
Um tic, um tilti
Mas um sinal de que funciona
Um lampejo, um plim
Uma ideia que tenciona
Um lampejo, um plim
Uma ideia que tenciona
E a coisa que é quase mente
Mente também se não se vê doida
Ambas andam sempre em frente
Enfrentando qualquer coisa
Mente também se não se vê doida
Ambas andam sempre em frente
Enfrentando qualquer coisa
segunda-feira, 27 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Gratidão
FUI ACORDADA PELA VIDA
A radiação e a claridade silenciosas entraram pela janela como quem diz ''ACORDA!''
E funcionou
Levantei-me, saí da cama, fui até a janela que quase se abria sozinha e olhei além dela.
Vi o verde verdadeiramente vivo
Ele me olhou e num balance suave dizia ''Também fui acordado por ela''
Concordamos.
O calor, a brisa, as nuvens, os pássaros, o azul lá em cima
Todos, numa conversa silenciosa, ainda acordando em uníssono
Concordamos que é bom demais estar vivo.
- respiro fundo -
Os pássaros só faltavam dizer em voz alta
E já que não o faziam, voavam e voavam
Dançantes, onde nenhum homem por si só chega
A brisa então... tapeou-me o rosto tão, mas tão delicadamente
Contactando-me com sua felicidade transbordante
E foi-se, antes que eu pudesse encarar-lhe o rosto
Sem contar as divindades, as pequenas divindades
Que me acompanham como sombras, assim que a luz se faz presente
E as pequenas mas astronômicas divindades
Que brilham e vivem quando tudo é escuridão...
Em luz, estrelas e todo pedaço de rocha no céu do todo,
Gritantes e incrédulos,
Por todos estarem com medo dos coitados que se aproveitam do escuro
Quando tudo o que há é vida lá fora
Dizendo 'Olá!'
EM CADA COISA PEQUENA
Eu agora
Vejo tudo
E mais que isso
Sinto tudo
Que o sol me dá a graça da visão é sabido desde que nasci
[E o que digo vai além da luz ou da minha vista (que vai muito bem)]
Mas o que eu vi com os olhos fechados que a Terra hei de ser mãe
É que na pequenez do meu ser
Nesse segundo de minha existência (comparado a tanta história já rodada)
A vida
Fala com todos, todos os dias
Onipresente mas também particular
(Uma vez que ela pode ser tudo).
A vida são os pássaros, o azul do céu, as brisas, a radiação e claridade...
E é por ela que eu prezo
Ela que me acordou hoje pedindo atenção
Dizendo, dizendo mesmo
Que o mundo aqui dentro (seja lá onde for aqui)
E lá fora
É meu
E de todos
E tudo é um presente
Tudo é uma bênção que se faz presente
TUDO É VIDA
E eu só tenho a agradecer
A radiação e a claridade silenciosas entraram pela janela como quem diz ''ACORDA!''
E funcionou
Levantei-me, saí da cama, fui até a janela que quase se abria sozinha e olhei além dela.
Vi o verde verdadeiramente vivo
Ele me olhou e num balance suave dizia ''Também fui acordado por ela''
Concordamos.
O calor, a brisa, as nuvens, os pássaros, o azul lá em cima
Todos, numa conversa silenciosa, ainda acordando em uníssono
Concordamos que é bom demais estar vivo.
- respiro fundo -
Os pássaros só faltavam dizer em voz alta
E já que não o faziam, voavam e voavam
Dançantes, onde nenhum homem por si só chega
A brisa então... tapeou-me o rosto tão, mas tão delicadamente
Contactando-me com sua felicidade transbordante
E foi-se, antes que eu pudesse encarar-lhe o rosto
Sem contar as divindades, as pequenas divindades
Que me acompanham como sombras, assim que a luz se faz presente
E as pequenas mas astronômicas divindades
Que brilham e vivem quando tudo é escuridão...
Em luz, estrelas e todo pedaço de rocha no céu do todo,
Gritantes e incrédulos,
Por todos estarem com medo dos coitados que se aproveitam do escuro
Quando tudo o que há é vida lá fora
Dizendo 'Olá!'
EM CADA COISA PEQUENA
Eu agora
Vejo tudo
E mais que isso
Sinto tudo
Que o sol me dá a graça da visão é sabido desde que nasci
[E o que digo vai além da luz ou da minha vista (que vai muito bem)]
Mas o que eu vi com os olhos fechados que a Terra hei de ser mãe
É que na pequenez do meu ser
Nesse segundo de minha existência (comparado a tanta história já rodada)
A vida
Fala com todos, todos os dias
Onipresente mas também particular
(Uma vez que ela pode ser tudo).
A vida são os pássaros, o azul do céu, as brisas, a radiação e claridade...
E é por ela que eu prezo
Ela que me acordou hoje pedindo atenção
Dizendo, dizendo mesmo
Que o mundo aqui dentro (seja lá onde for aqui)
E lá fora
É meu
E de todos
E tudo é um presente
Tudo é uma bênção que se faz presente
TUDO É VIDA
E eu só tenho a agradecer
quinta-feira, 16 de julho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
Zio, o homem de má coração
Nas tardes, nas noites
Aos poucos, aos montes
Nunca houve quem ficasse assim
Nem meu pai
Nem minha mãe
Quiseram cuidar tanto de mim
Zio, se tá frio fica
Zio, se faz calor ele gruda e ainda suplica
Que eu não olhe pessoas na rua
E converse com gente bonita
Que eu não sorria até mesmo sozinha
Ou sinta qualquer coisa que aviva
E às vezes ainda diz:
Essa menina já foi boazinha
Arre
Os ventos e as flores e as luzes
Que nisso reparem
Que encham os corpos e todo o buraco
Que molhem os copos e todo secura
Até não ter Zio na noite escura
Eu peço que vá, Zio
Aos poucos, aos montes
Nunca houve quem ficasse assim
Nem meu pai
Nem minha mãe
Quiseram cuidar tanto de mim
Zio, se tá frio fica
Zio, se faz calor ele gruda e ainda suplica
Que eu não olhe pessoas na rua
E converse com gente bonita
Que eu não sorria até mesmo sozinha
Ou sinta qualquer coisa que aviva
E às vezes ainda diz:
Essa menina já foi boazinha
Arre
Os ventos e as flores e as luzes
Que nisso reparem
Que encham os corpos e todo o buraco
Que molhem os copos e todo secura
Até não ter Zio na noite escura
Eu peço que vá, Zio
segunda-feira, 8 de junho de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
domingo, 10 de maio de 2015
Alheio n° 4
''Ultimamente ando seguindo minha cabeça, e as coisas andam dando certo...
Tu vê, até te encontrei''
sexta-feira, 8 de maio de 2015
O desapego
A mão esfria e a pele sua
Na euforia que toma conta
Até teu corpo perto tremula
Tocando a mim
Bastante pronta pro teu afago
E pro teu alento
Que tão de perto faz-me ser zonza
Mas se aprochegue que o meu talento
É dar amor sem pedir conta
Na euforia que toma conta
Até teu corpo perto tremula
Tocando a mim
Bastante pronta pro teu afago
E pro teu alento
Que tão de perto faz-me ser zonza
Mas se aprochegue que o meu talento
É dar amor sem pedir conta
terça-feira, 5 de maio de 2015
Ciscar
Debaixo de tanta beleza
O sujeito não é tão bonito e charmoso
Debaixo de tanta lindeza
Se avista superfície e algo ocioso
E 'debaixo' nunca chega a ser chão
É superfície que ciscava, ciscava e ciscava
Até não encontrar 'ele', mas encontrar vão
E se escava e se escava e se escava...
O sujeito não é tão bonito e charmoso
Debaixo de tanta lindeza
Se avista superfície e algo ocioso
E 'debaixo' nunca chega a ser chão
É superfície que ciscava, ciscava e ciscava
Até não encontrar 'ele', mas encontrar vão
E se escava e se escava e se escava...
quinta-feira, 23 de abril de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Domingo
O futebol passando na tv é um lembrete de que ele não está em casa, porque se estivesse, isso não estaria acontecendo. Prepotente, eu sei, mas nisso eu compactuo... Já são 4:00 da tarde e ninguém montou a mesa pro café, era coisa dele também. Não tem gato pulando dentro de casa, porque só ele abria a porta pros bichanos. Não tem música no carro, inclusive não tem carro na garagem. A louça na pia ainda tá suja, porque ele fazia questão que eu não me preocupasse com nada a não ser com o meu canto. Ele sempre lavava e no fim dizia dando risada ''Vem, que a louça é tua'', mas já não tinha sujeira. Às vezes quando queria trocar uma palavra, surgia no quarto com uma xícara de café, dava uma olhada na tela do computador (pra me irritar, mas eu bem sabia que ele não enxergava) e eu nem sequer tirava os dois fones dos ouvidos. Então ele dizia pouco menos que uma frase e ia pra rua, sentava-se do lado de fora da porta... pernas esticadas e cruzadas, cigarro na mão e a cabeça voltada para longe, onde ninguém foi capaz de alcançar-lhe o pensamento.
Agora são 17h32, o futebol continua, assim como a distância e a saudade.
Agora são 17h32, o futebol continua, assim como a distância e a saudade.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
Solidão
Na surdina ela se compõem
E mesmo sem silhueta
Noto como cresce dentro de mim
Como, sempre que encontro alguém, se opõe
Como ela teima e não se endireita
A princípio o meu corpo que já se arrastava
E que pelos quintais procurava escoro
Não sabia se era eu quem me domava
Ou se era o resto de um amor não duradouro
Mas foi quando meu corpo esteve são
Que pude me agarrar numa conclusão...
Vi que 'ela' é imensamente sólida
Ela é imensamente solidão
Tenho mais alma do que eu pensava
Por isso já não me convém desafeição
É como pedir que eu me contenha
E eu - ainda que o faça sempre - transbordo
Porque não sei agir sem o coração
Que mesmo sem boca fala mais alto
Num ato de lembrar-me que estou a bordo
Do barco que navega rio abaixo
Correndo pra perto do que eu suporto
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Caco
Cá comigo a dor imensa
Quase que me afogando
Inundando meu raciocínio
Agora, apenas sinto
A pancada que vem
E que nunca vai embora
Parece que não basta
Todo o drama já rodado
É preciso passar por mais
Do que apenas alguns bocados?!
É preciso quebrar-se em mais
Do que apenas alguns quebrados?!
É preciso matar-se mais
Até viver sempre cansado?!
Mais caco ou menos caco
Não me livro da sentença
De ter que viver na angústia
Levando porrada, perdendo a cabeça
E é duro no fim jogar tudo ao vento
Sem ver saída, eu me pergunto
Com quanta dor se faz um crescimento?
(ele partiu dia 11)
Quase que me afogando
Inundando meu raciocínio
Agora, apenas sinto
A pancada que vem
E que nunca vai embora
Parece que não basta
Todo o drama já rodado
É preciso passar por mais
Do que apenas alguns bocados?!
É preciso quebrar-se em mais
Do que apenas alguns quebrados?!
É preciso matar-se mais
Até viver sempre cansado?!
Mais caco ou menos caco
Não me livro da sentença
De ter que viver na angústia
Levando porrada, perdendo a cabeça
E é duro no fim jogar tudo ao vento
Sem ver saída, eu me pergunto
Com quanta dor se faz um crescimento?
(ele partiu dia 11)
quinta-feira, 9 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Quê?
Marquei encontro comigo
Mais uma vez
E quem vai chegar primeiro
Eu ou eu? Já não sei
Talvez seja melhor reservar mesa pra um
Ou pra dois?
Talvez seja melhor reservar mesa pra depois
Depende da fila na estrada
Do sinal no celular
Depende da chuva
São vários os fatores pr'eu não estar lá
São vários os fatores pr'eu não estar em mim?
Mais uma vez
E quem vai chegar primeiro
Eu ou eu? Já não sei
Talvez seja melhor reservar mesa pra um
Ou pra dois?
Talvez seja melhor reservar mesa pra depois
Depende da fila na estrada
Do sinal no celular
Depende da chuva
São vários os fatores pr'eu não estar lá
São vários os fatores pr'eu não estar em mim?
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Sol o que Mi flauta
Meu coração é um baixo
Abaixonado pelos bons músicos
Que insistem em me tocar
Sem Dó
Abaixonado pelos bons músicos
Que insistem em me tocar
Sem Dó
domingo, 5 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Pequeno curso de água
Rente a mim este embaraço
Indo e vindo, por onde eu passo...
Bate há um ano o compasso por ele
E a dor se aproxima ou às vezes repele...
Imagina se por um descuido eu me perco
Roendo a ferida que tá quase boa...
Ouvindo o aperto, assim meio perto
Eu miro e acerto a direção da proa
Indo e vindo, por onde eu passo...
Bate há um ano o compasso por ele
E a dor se aproxima ou às vezes repele...
Imagina se por um descuido eu me perco
Roendo a ferida que tá quase boa...
Ouvindo o aperto, assim meio perto
Eu miro e acerto a direção da proa
sábado, 28 de março de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
Pé no ego
Ando a pé sobre o apego
Desvencilhando-me, evitando sua continuidade
Eu só quero me apegar à liberdade
Desvencilhando-me, evitando sua continuidade
Eu só quero me apegar à liberdade
domingo, 15 de março de 2015
sábado, 14 de março de 2015
Tran(s)cend(er)
Já não consigo sustentar um olhar
E mesmo assim, tudo tende a contactar-me
As coisas me veem de cabeça baixa, procurando respostas no chão
É como nudez, encarar o outro
Sejo o outro o que for
E de certo sou eu...
E o outro, junto com o meio e os rios e os céus e as brisas
Junto com os sentidos que me caracterizam
Atiram-me numa realidade que me intimida
Grande, avassaladora
Me remete à pequenez do meu ser
Ao grão de areia que sou
E nisso, volto-me tanto para mim e para a minha dimensão
Que acabo indo além das galáxias
Além dos grupos locais
Dos aglomerados
Da matéria escura
Eu vou além do além
Porque sou a própria existência.
Eu, que vim de uma explosão bilenar
Onde todos nós estávamos juntos numa única molécula
Abraçados, impessoais
Vejo-me agora em todos, não somente em mim
E deveras
(numa viagem além do sentido normal)
E mesmo assim, tudo tende a contactar-me
As coisas me veem de cabeça baixa, procurando respostas no chão
É como nudez, encarar o outro
Sejo o outro o que for
E de certo sou eu...
E o outro, junto com o meio e os rios e os céus e as brisas
Junto com os sentidos que me caracterizam
Atiram-me numa realidade que me intimida
Grande, avassaladora
Me remete à pequenez do meu ser
Ao grão de areia que sou
E nisso, volto-me tanto para mim e para a minha dimensão
Que acabo indo além das galáxias
Além dos grupos locais
Dos aglomerados
Da matéria escura
Eu vou além do além
Porque sou a própria existência.
Eu, que vim de uma explosão bilenar
Onde todos nós estávamos juntos numa única molécula
Abraçados, impessoais
Vejo-me agora em todos, não somente em mim
E deveras
(numa viagem além do sentido normal)
domingo, 8 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
Enganou-se a menina que um dia disse não amar mais aquele homem, como tinha amado no primeiro dia. Ela não imaginava que as flores sobreviveriam ao inverno que foi... Não há aviso sobre isso estampado por aí. Não houve quem avisasse a ela que não mergulhasse de cabeça num rio fundo demais. Não houve quem a alertasse que depois do mergulho a faixa de areia se desloca pra muito mais longe. Rema, rema, rema e o mais próximo que encontra é a quebra d'água, é o amor afogando-a.
...
Ninguém melhor que ela entende o que é enfim boiar.
E afogar-se
de
novo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Sabe
Das coisas que eu vi com o tempo
Não sei se haverá flor mais bonita
Não sei se haverá coisa ainda
Que me leve a navegar por mim
Que me mostre como é ruim ficar só
Eu prometi, eu juro que meti meu corpo
Em lugares que não eram meus
E prometi, pro melhor
Que o dia que eu pudesse
A menos que o tempo mudasse
Cê ficaria com eu
Mas olha
Eu não vim dobrar o tempo
Só queria deixar claro
Que no momento de olhar pro lado
Cê vai ver o amor molhado
De tanto que eu chovo ainda
De tanto que eu desaguei e andei
Pra baixo e pra cima
Com teu espaço no bolço
Sabe, moço
Eu me preocupo em ocupar-te
Porque de toda parte
E com todo o meu ser
Eu tenho muitos anos pela frente
Eu tenho muito pano pra tecer
E consequentemente
O amor a oferecer
Das coisas que eu vi com o tempo
Não sei se haverá flor mais bonita
Não sei se haverá coisa ainda
Que me leve a navegar por mim
Que me mostre como é ruim ficar só
Eu prometi, eu juro que meti meu corpo
Em lugares que não eram meus
E prometi, pro melhor
Que o dia que eu pudesse
A menos que o tempo mudasse
Cê ficaria com eu
Mas olha
Eu não vim dobrar o tempo
Só queria deixar claro
Que no momento de olhar pro lado
Cê vai ver o amor molhado
De tanto que eu chovo ainda
De tanto que eu desaguei e andei
Pra baixo e pra cima
Com teu espaço no bolço
Sabe, moço
Eu me preocupo em ocupar-te
Porque de toda parte
E com todo o meu ser
Eu tenho muitos anos pela frente
Eu tenho muito pano pra tecer
E consequentemente
O amor a oferecer
De tanto que eu moro só em mim
Eu vou perder a chance
De pular meu próprio muro
E descobrir que
O tempo todo a chuva era eu
Molhando meu próprio chão
Como quem se cura
Como quem encontra alguém
Dentro de si
Enquanto eu for casa
Haverá somente eu e só
Por isso sou meu lar
E alguma estrada que cruza
Entre eu
E eu
E não só mente
E não só
Mas sol
Enquanto eu for casa
Haverá somente eu e só
Por isso sou meu lar
E alguma estrada que cruza
Entre eu
E eu
E não só mente
E não só
Mas sol
Lá, tente
Qualquer lugar que nos caiba
É muito pouco
Porque só o meu tamanho
Só o quanto eu amo
Mal cabe em um único corpo
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Voltei-me para mim
Como quem volta para onde nunca foi
Como quem adentra a casa que é (pela primeira vez)
E o que eu vi foi chão batido
De tanto
Tanto
Tanto
Que eu já me andei
...
Vejo esse aço-alho
Com meu ópios olhos
E deparo-me com a marca de quem
Reviravolta e meia
Arreda tudo do seu lugar
...
Vejo esse aço-alho
Com meu ópios olhos
E deparo-me com a marca de quem
Reviravolta e meia
Arreda tudo do seu lugar
...
Nunca me disseram que
Não se mexe em certas coisas, incertas
...
Mas toda vez que saio de mim
Eu me re-volto
...
Mas toda vez que saio de mim
Eu me re-volto
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Desvencilha
Quero outra cidade e o mundo lá fora
Quero os campos de flores
Os parques, os bares
As auroras e os amores
Quero ligar de vez em quando
Dizendo que vou voltar
Mas não quero caos
E não quero mais que o m(eu) próprio lar
Quero romper todas as cordas
Quero bater em todas as portas
Quero sorrir com todas as prozas
Quero ouvir todas as notas
Seja periquito ou gaivota
Ambos não gostam de gaiola
Então seja aqui ou n'outra rota
Estarei fora da ilhota
(em que vivo, que eu sou)
O que digo aqui enfim é que
Não sair desse moinho, não olhar outro caminho
Fincar o ser num só pontinho...
Não é coisa pra mim
Quero os campos de flores
Os parques, os bares
As auroras e os amores
Quero ligar de vez em quando
Dizendo que vou voltar
Mas não quero caos
E não quero mais que o m(eu) próprio lar
Quero romper todas as cordas
Quero bater em todas as portas
Quero sorrir com todas as prozas
Quero ouvir todas as notas
Seja periquito ou gaivota
Ambos não gostam de gaiola
Então seja aqui ou n'outra rota
Estarei fora da ilhota
(em que vivo, que eu sou)
O que digo aqui enfim é que
Não sair desse moinho, não olhar outro caminho
Fincar o ser num só pontinho...
Não é coisa pra mim
Assinar:
Postagens (Atom)