terça-feira, 23 de junho de 2015

Zio, o homem de má coração

Nas tardes, nas noites
Aos poucos, aos montes
Nunca houve quem ficasse assim
Nem meu pai
Nem minha mãe
Quiseram cuidar tanto de mim
Zio, se tá frio fica
Zio, se faz calor ele gruda e ainda suplica
Que eu não olhe pessoas na rua
E converse com gente bonita
Que eu não sorria até mesmo sozinha
Ou sinta qualquer coisa que aviva
E às vezes ainda diz:
Essa menina já foi boazinha
Arre
Os ventos e as flores e as luzes
Que nisso reparem
Que encham os corpos e todo o buraco
Que molhem os copos e todo secura
Até não ter Zio na noite escura

Eu peço que vá, Zio

Lamento

Tento, tento e não tato teto

Chuvarada
                   cai
                           no
                                 prédio

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Voltei-me para mim
Como quem volta para onde nunca foi
Como quem adentra a casa que é (pela primeira vez)
E o que vi foi chão batido
De tanto
Tanto
Tanto
Que eu já me andei