sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sabe
Das coisas que eu vi com o tempo
Não sei se haverá flor mais bonita
Não sei se haverá coisa ainda
Que me leve a navegar por mim
Que me mostre como é ruim ficar só

Eu prometi, eu juro que meti meu corpo
Em lugares que não eram meus
E prometi, pro melhor
Que o dia que eu pudesse
A menos que o tempo mudasse
Cê ficaria com eu

Mas olha
Eu não vim dobrar o tempo
Só queria deixar claro
Que no momento de olhar pro lado
Cê vai ver o amor molhado
De tanto que eu chovo ainda
De tanto que eu desaguei e andei
Pra baixo e pra cima
Com teu espaço no bolço

Sabe, moço
Eu me preocupo em ocupar-te
Porque de toda parte
E com todo o meu ser
Eu tenho muitos anos pela frente
Eu tenho muito pano pra tecer
E consequentemente
O amor a oferecer
De tanto que eu moro só em mim
Eu vou perder a chance 
De pular meu próprio muro
E descobrir que
O tempo todo a chuva era eu
Molhando meu próprio chão
Como quem se cura
Como quem encontra alguém
Dentro de si

Enquanto eu for casa
Haverá somente eu e só
Por isso sou meu lar
E alguma estrada que cruza
Entre eu
E eu
E não só mente
E não só
Mas sol

Lá, tente

Qualquer lugar que nos caiba
É muito pouco
Porque só o meu tamanho
Só o quanto eu amo
Mal cabe em um único corpo

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Desgramada

Fui abrir a janela
E não entrou mais que um bocado de raio
Que o parta
Voltei-me para mim
Como quem volta para onde nunca foi
Como quem adentra a casa que é (pela primeira vez)
E o que eu vi foi chão batido
De tanto 
Tanto
Tanto
Que eu já me andei
...
Vejo esse aço-alho
Com meu ópios olhos
E deparo-me com a marca de quem
Reviravolta e meia
Arreda tudo do seu lugar
...
Nunca me disseram que
Não se mexe em certas coisas, incertas
...
Mas toda vez que saio de mim
Eu me re-volto

A Corda

O mundo inteiro
O tempo todo
Diz
''Rompa as correntes
E acorda''

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Concedi-me por conta própria
Contra cópia e contra capa
Não estou à vista de mim
Sou a vermelhidão na pele depois do tapa

Desvencilha

Quero outra cidade e o mundo lá fora
Quero os campos de flores
Os parques, os bares
As auroras e os amores

Quero ligar de vez em quando
Dizendo que vou voltar
Mas não quero caos
E não quero mais que o m(eu) próprio lar

Quero romper todas as cordas
Quero bater em todas as portas
Quero sorrir com todas as prozas
Quero ouvir todas as notas

Seja periquito ou gaivota
Ambos não gostam de gaiola
Então seja aqui ou n'outra rota
Estarei fora da ilhota
(em que vivo, que eu sou)

O que digo aqui enfim é que
Não sair desse moinho, não olhar outro caminho
Fincar o ser num só pontinho...
Não é coisa pra mim

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Eu não tenho poesia nenhuma nas mangas
Não me sinto reprodutora da filha ''rima''
Não sei se todas as minhas palavras viraram bugiganga
Ou se a nascente interna se perdeu em qualquer dor mínima

Essa rima é filha adotiva