sexta-feira, 30 de maio de 2014

Eu fecho os olhos:
''Nunca senti isso antes''

  Me sinto tão viva (e tão morta). No meu peito mora um aperto contido, um aperto que segura o peito aos pulos. Nos meus olhos, uma parte do mar faz visitas, casualmente. Não é tristeza, é amor. É querer estar do lado, estar em frente, estar nele... É achar que já amou tudo o que pôde e então ver que o que sente agora é infinitamente mais intenso e transbordo. Ver que esse é daquele amor que não te faz querer morrer. Viver por amor e amar por viver... Me leia! Isso é um pouco mais que a mim. E mesmo as palavras... Ando de braços dados com a esperança de conseguir me extrair, de fazer com que alguém entenda e sinta as camadas que moram em mim, que me constituem. Se tu soubesses como sinto dez vezes mais do que aquilo que escrevo...
  Eu só quero que saibas, e sejas o marido que eu tanto imagino ter no futuro. Vamos fazer um casal de filhos, para começar. A gente pode morar numa casinha de tijolo a vista, perto da praia ou do morro. Me leva para passear de bicicleta, que eu vou até no quadro. Quem sabe uma noite ou outra a gente faça amor no tapete da sala, na mesa da cozinha ou no banho... Quem sabe todos os dias. Vamos viajar de carro. Juro cortar o teu cabelo quando precisar. Me leva para conhecer teus parentes e me deixa ser tua família. Meus pais vão te adorar, já tô vendo... Ou não vamos fazer filho nenhum, vamos adotar. Vamos fazer amor no nosso quarto mesmo, no quarto andar de qualquer prédio no meio da cidade, que eu sei que vai ser lindo. Me leva para dar uma caminhada, que eu vou até mancando. Se for o caso, a gente viaja de ônibus. E ó: eu adoro um cabelo comprido e uma barba. Me leva pra casa dos teus pais e me torna parte da família. Meus pais vão te amar, disso eu sei... Seja quem tiver que ser, seja como tiver que ser, mas seja o meu amor.
  E saiba que as coisas ditas, soam bonitas, mas não carregam o tanto da emoção que eu levo comigo. Ah, se eu pudesse exteriorizar... Se eu disser que tu pode ser o homem mais amado de todos os estados, isso te dá uma ideia do que eu sinto?

O amor transbordou
A lágrima caiu
E a menina aqui sorriu
Cada palavra é um mar profundo demais. 

...

Eis que me encontro perdida.
 Hoje eu vejo, toda vez que olho pela janela, o quanto há em mim de tudo no mundo. Meus olhos são o centro do universo, partindo do meu ângulo. Sou tão pequena para com algo tão grande, como não sentir as vibrações dessa massa sobre o meu corpo e dentro de mim? Sou nada, sou tudo. Das coisas que sinto, carrego os sentimentos que há anos fazem junção e tornam-se eu. Sou sensibilidade. Sou o corpo do mundo, porque tenho o mundo dentro de mim.
 Tudo pulsa. Tudo passa. Tudo fica. Tudo vem. Tudo vai. Tudo e o todo. 

"Eu me lembro quando minha sobrinha, Tony, era recém-nascida. Eu tomava conta dela algumas vezes e ela chorava, como bebês fazem. Nove vezes de dez eu conseguia resolver o problema, mas... algumas vezes, quando estou andando pela estrada e um raio de luz do sol incide de uma certa maneira na estrada eu simplesmente quero chorar. E um segundo depois, acabou. E eu decido, porque sou uma adulta, a não sucumbir a melancolia momentânea. Acontece o mesmo as vezes com Tony. Ela somente teve um momento assim. Um momento que, sem saber como, ou por que, ela só se deixa levar. e não havia ninguém que pudesse fazer ela se sentir melhor - era só ela, e o fato dela estar viva, colidindo."

domingo, 25 de maio de 2014

 Por deus, que esses dias em que você vive em mim não me matem mais. Que essa ausência não consumada me consome dia e noite e eu não tô pronta para morrer tão jovem... Kant nenhum explica a falta que eu sinto do teu corpo, que eu nunca toquei.  E como pode estar tão longe e mesmo assim estar tão internamente? É aí que te encontro, não fora mas dentro. E como funciona uma mente que não se dilui em outros mares que não o teu? Há tanto de ti concentrado em mim... Pelos céus, que meu corpo daqui sente as vibração do teu ser, como um imã. Porque cada menção tua relacionada à minha pessoa aciona as mais impetuosas tempestades emocionais e todo minuto que passa, me corrói, querendo tuas mãos para me acalentar. Que necessidade é essa que não cessa? Que vontade é essa de te ter de volta se eu nunca te tive? Que medo é esse da perda se eu nunca o ganhei? Que tremor é esse em mim só de vir a pensar nas palavras que brotaram de você? Que abatimento é esse no meio de tantos sorrisos? Tantos espíritos alegres me rodeiam e não há alma que extermine essa mágoa que me engole todas as noites. Tanta gente para amar, tanto carinho já ganho, porque nenhum deles compensa a perda que me esburaca o peito? Não houve antes quem me tatuasse dessa forma o amor. Entendo agora porque dói mais quando desfazem a tatuagem...
 Cala essa tua voz aqui dentro ou me cala a boca num beijo! Não vê que se te escrevo é porque não te esqueço. Meu deus, tendes a crescer em mim de tal forma que me assusto, és maior que meu peito, esse coração nunca se estendeu tanto para envolver alguém. Ninguém nunca me inspirou tanto a escrever versos... Caramba, enquanto as palavras desaguam e tu te concretiza em minha mente, há um amor que flui gentilmente pelo meu corpo e, como explosões astrais, iluminam meu coração. Que coisa, me fazes bem e mal ao mesmo tempo. Eu sinto o ganho e a perda, o vazio e o preenchimento, o amor e a dor... Mas sinto tudo, então significa que és muito em mim, mas não a ponto de fazer-me subtrações. És o equilíbrio. Se no casamento tem saúde e doença, alegria e tristeza, bem e mal... Porque a gente não se casa, afinal? 

sábado, 24 de maio de 2014

 Me deixa aqui, assim sossegada, deixa eu me acostumar a não te ter mais. Que esse sossego eu levo de baixo dos braços, para todos os cantos. Que esse sossego é minha dor quando começa a amansar... Porque outras bocas eu vou beijar, mesmo que não sejam a sua, outra pessoa eu posso até amar. Mas fica longe enquanto isso acontece, me deixa sofrer por outra pessoa, que ainda assim a dor vai ser menor e eu não te quero coçando a ferida. Se eu não amar ninguém, eu vou estar curando, então eu só não quero que você venha abrir o corte. 
 Mas se quiser, vem fechá-lo, se essa for tua intenção. Que eu dou um jeito e levo o sossego num braço e tu no outro, ou boto o sossego no bolso e te levo nos dois. Porque se vier, não há de ter boca mais estimada que a tua. Não há de ter corpo mais amado, alma mais prezada... Deixa eu te acolher e te curar também. Olha como eu te quero bem. Olha como eu te quero, meu bem. Não deixe que outra pessoa me toque. Seja o bastante para mim. Mas não seja dela, seja meu. Que se ela te toca e não eu.... 
Aquela música que foi você ainda toca
(E é você)
Eu deixo que toque
Até o disco arranhar
Mais do que me arranha o peito
Até perder o volume
E tudo o que me reste seja silêncio

Silencie-se em mim!
Ou soe de bom tom
Que essa valsa
Eu já não quero ouvir
E dançar sozinha




sexta-feira, 23 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

Poucas vezes eu deixei que meu rosto fosse queimado pelo sol. Então houve essa vez em que eu sofri com o calor, porque no momento era o que tinha para me aquecer. Isso me lembra cada inverno que chega, trazendo os sois raros da manhã, aqueles que me abraçam... Inverno passado era você, lembra? A gente andava na chuva e no frio, já noite, e ainda assim tudo era radiante, como o ponto amarelo no ápice do (meio)dia... Aquela vida eu não cruzo mais. Deixei o túnel, a esquina, as fotos e um tanto de lado, foi o verão que te ofuscou. Mas o inverno que chega trás teu calor no bolço... Eu deixo que me queime o peito, de leve.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Diz com passo

Esse pano, em que teço planos
Esse plano, uma vida em anos
Esses anos, muita história pra contar

O dia em que se nasce aos 30
Já grande, corpo feito, cabelo crescido
Quando tudo foi conquistado
Foi merecido
O dia em que se morre com 18
Metade grande, metade pequeno
Cabeça feita, coração dilatado
Tudo faz efeito
Nada é perfeito

Que defeito tem o rapaz no arpoador?
Vê a vida de cima
Sente a brisa que lhe pisa
Estagnado no momento
Porque o pulo é ágil
O chão é grande
O corpo é frágil

Que mal faz a moça que não sorri?
Absorve a luz do dia
Sente a vida que lhe gargalha
Atenta ao som dos pássaros
Que se é para fazê-la dormir
Não falha
Porque o peito ela carrega cheio
Dos dias que fluem sem freio

E quem lhes cruza a rua
Quanta coisa leva consigo?
Imagem de gente nua
A culpa que não é sua
A saudade do amigo...
É tanta gente
É tudo tão extenso
Que me falta memória
Para guardar tanta história
Para reter as coisas que eu penso






quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quando eu me deixei levar pelo o que eu sentia, não existia preocupações porque pela primeira vez na minha vida, eu achei que estava em algo recíproco com outra pessoa. Eu dava e recebia e eu nunca precisei extrair as coisas de ti, o teu sentimento jorrava. Então eu me segurei firme nisso, talvez tenha ficado um pouco dependente. Mas foi maravilhoso. Era eu, era tu e todas aquelas palavras... Eu me senti cheia depois de muito tempo vazia. Eu me senti em algo real, quando na verdade eu sempre fiz parte de relacionamentos pela metade, porque nos outros, ou eu amava ou eu era amada. Mas dessa vez eu senti que era algo inteiro.
E acabou.
Eu voltei a ser metade, quando eu estava tão cheia de nós dois, cheia de amor. Eu pus fé na gente, e tu sabe como é ruim sentir a fé falhar? As minhas remendas não aguentaram. E eu continuei até agora, com persistência e dor, tentando segurar a rede nas mãos quando eu sei que eu só preciso deixar a maré levar. Então eu te escrevo porque tu foi o meu porto seguro, o meu farol, e junto com a rede cheia de remendos, eu me deixo levar pelo mar. Eu preciso seguir nas ondulações, preciso que o vento me leve pra longe do porto. Porque tudo o que eu sinto é o meu corpo batendo nas pedras. Dói demais. Eu queria conseguir esperar por ti, mas esse amor que eu sinto, eu sinto agora, eu não vou sentir no futuro como eu senti naquelas semanas em que a gente se ''envolveu'', como eu sinto hoje. Não tô conseguindo seguir com a minha vida... Eu vou desejar não ter feito isso, mas não posso me abastecer de esperança. Eu quero dizer que tu continua intenso aqui dentro, mas eu me demito por fim.
Com amor, a pessoa mais sentimental.

Tu não sabe o quão amável tu é.
Eu me apaixonei.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A história começa no mar.

Já são dezessete anos velejando em mim
Alguns fragmentos ficaram para trás
Há partes de mim em esquinas, em cidades e em pessoas
Há um pouco de mim no banco da praça, na sombra da árvore, na pessoa que passa...

Meu barco segue nas ondulações do mar,
Conforme o vento vai batendo...
E quando os meus braços ganharem a força de um motor
E a minha cabeça pesar menos que uma âncora,
Aí eu sigo o meu próprio rumo
Que é para eu não naufragar no chão da cidade,
Onde habita o meu corpo.

''A carne dura menos que qualquer madeira.''