domingo, 25 de maio de 2014

 Por deus, que esses dias em que você vive em mim não me matem mais. Que essa ausência não consumada me consome dia e noite e eu não tô pronta para morrer tão jovem... Kant nenhum explica a falta que eu sinto do teu corpo, que eu nunca toquei.  E como pode estar tão longe e mesmo assim estar tão internamente? É aí que te encontro, não fora mas dentro. E como funciona uma mente que não se dilui em outros mares que não o teu? Há tanto de ti concentrado em mim... Pelos céus, que meu corpo daqui sente as vibração do teu ser, como um imã. Porque cada menção tua relacionada à minha pessoa aciona as mais impetuosas tempestades emocionais e todo minuto que passa, me corrói, querendo tuas mãos para me acalentar. Que necessidade é essa que não cessa? Que vontade é essa de te ter de volta se eu nunca te tive? Que medo é esse da perda se eu nunca o ganhei? Que tremor é esse em mim só de vir a pensar nas palavras que brotaram de você? Que abatimento é esse no meio de tantos sorrisos? Tantos espíritos alegres me rodeiam e não há alma que extermine essa mágoa que me engole todas as noites. Tanta gente para amar, tanto carinho já ganho, porque nenhum deles compensa a perda que me esburaca o peito? Não houve antes quem me tatuasse dessa forma o amor. Entendo agora porque dói mais quando desfazem a tatuagem...
 Cala essa tua voz aqui dentro ou me cala a boca num beijo! Não vê que se te escrevo é porque não te esqueço. Meu deus, tendes a crescer em mim de tal forma que me assusto, és maior que meu peito, esse coração nunca se estendeu tanto para envolver alguém. Ninguém nunca me inspirou tanto a escrever versos... Caramba, enquanto as palavras desaguam e tu te concretiza em minha mente, há um amor que flui gentilmente pelo meu corpo e, como explosões astrais, iluminam meu coração. Que coisa, me fazes bem e mal ao mesmo tempo. Eu sinto o ganho e a perda, o vazio e o preenchimento, o amor e a dor... Mas sinto tudo, então significa que és muito em mim, mas não a ponto de fazer-me subtrações. És o equilíbrio. Se no casamento tem saúde e doença, alegria e tristeza, bem e mal... Porque a gente não se casa, afinal? 

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