Já não consigo sustentar um olhar
E mesmo assim, tudo tende a contactar-me
As coisas me veem de cabeça baixa, procurando respostas no chão
É como nudez, encarar o outro
Sejo o outro o que for
E de certo sou eu...
E o outro, junto com o meio e os rios e os céus e as brisas
Junto com os sentidos que me caracterizam
Atiram-me numa realidade que me intimida
Grande, avassaladora
Me remete à pequenez do meu ser
Ao grão de areia que sou
E nisso, volto-me tanto para mim e para a minha dimensão
Que acabo indo além das galáxias
Além dos grupos locais
Dos aglomerados
Da matéria escura
Eu vou além do além
Porque sou a própria existência.
Eu, que vim de uma explosão bilenar
Onde todos nós estávamos juntos numa única molécula
Abraçados, impessoais
Vejo-me agora em todos, não somente em mim
E deveras
(numa viagem além do sentido normal)
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