quarta-feira, 22 de abril de 2015

Domingo

O futebol passando na tv é um lembrete de que ele não está em casa, porque se estivesse, isso não estaria acontecendo. Prepotente, eu sei, mas nisso eu compactuo... Já são 4:00 da tarde e ninguém montou a mesa pro café, era coisa dele também. Não tem gato pulando dentro de casa, porque só ele abria a porta pros bichanos. Não tem música no carro, inclusive não tem carro na garagem. A louça na pia ainda tá suja, porque ele fazia questão que eu não me preocupasse com nada a não ser com o meu canto. Ele sempre lavava e no fim dizia dando risada ''Vem, que a louça é tua'', mas já não tinha sujeira. Às vezes quando queria trocar uma palavra, surgia no quarto com uma xícara de café, dava uma olhada na tela do computador (pra me irritar, mas eu bem sabia que ele não enxergava) e eu nem sequer tirava os dois fones dos ouvidos. Então ele dizia pouco menos que uma frase e ia pra rua, sentava-se do lado de fora da porta... pernas esticadas e cruzadas, cigarro na mão e a cabeça voltada para longe, onde ninguém foi capaz de alcançar-lhe o pensamento.
Agora são 17h32, o futebol continua, assim como a distância e a saudade.

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