terça-feira, 24 de junho de 2014
Eu sinto muito
Cada pessoa é uma estrada que eu cruzo. Eu não me importo de caminhar sobre a vida delas descalço, mas algumas são como o chão quente, me queimam a pele, me fazem correr. Outras são como a terra debaixo do mar, ou o próprio mar... quanto mais o chão me parece plano, quanto mais a água se amorna sobre a minha pele, mais fundo eu quero ir, por mais tempo eu quero boiar. Mas o que eu quero dizer é que, independente do mar estar limpo e na temperatura perfeita ou do chão estar em brasa, eu me apaixono com a mesma facilidade que o pássaro tem em voar. Eu amo as pessoas que raiam, mas também as que chovem. Eu amo os jardins, como amo as árvores secas. Eu amo isto e aquilo e sustento uma sensibilidade que pesa mais que o meu próprio corpo. Porque minhas pernas são troncos, meu peito é uma encosta, mas quando resolvem me podar, quando o mar tende a bater-me infinitamente, é quando eu enfraqueço. Pois eu amo muito, mas sofro muito. E a dor aperta com a mesma facilidade que a chuva tem em cair. Toda intensidade incide em mim, eu relampejo tanto quanto floresço, tenho dentro do meu corpo o mar acima do nível, por isso transbordo. Transbordo internamente, uma vez que faço da minha carne um muro de contenção. Tem dias que ele falha, mas flores brotam na pele do meu rosto, então eu choro mesmo, que assim eu me rego por fora. Sabe... alivia. Aí surgem flores até no meu peito, e assim é o meu ciclo, confirmando que faço parte da natureza. Que é da minha natureza ser tempestade e ser o sol que logo depois se abre, aquele que te queima a pele de leve e te livra do frio. O meu normal é ser brisa e vendaval. Entende? Porque eu sou como os dias, amanheço e anoiteço... O que eu sinto vai longe como a realidade em que caio, é um abismo. Mas não sinto muito por sentir tanto.
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Gostei da ideia do post, muito legal!
ResponderExcluirEi, obrigada! Tu por aqui!
ResponderExcluirSou um blogueiro hahaha :P
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